Moradores relataram à Pepita de Carajás que Planalto exigiu até esquema de segurança para esperar presidente, que ninguém reconhece ou quer de graça
Com
medo de andar de carro pelo Pará, para não furar o pneu nas estradas que o
Governo Federal despreza ou para não ser assaltado e vítima da falta de
investimento em segurança, Michel Temer vai sobrevoar de jatinho a região onde está para ter
noção se o Pará e o Tocantins valem a pena
"Em
primeiro lugar, fora Temer!", diz um morador do município tocantinense de
Xambioá, com quem a Pepita de Carajás entrou em contato a fim de saber as
fofocas da presença do presidente na região para inaugurar, neste momento, a ponte
de 1.727 quilômetros sobre o Rio Araguaia que une o Tocantins ao Pará. A ponte
está a exatos 229 metros da cidade de Curionópolis, a Pepita de Carajás.
Segundo
informações, o custo total da obra — que terá duração de três anos, a começar
de, provavelmente, 2018 — é de R$ 132,15 milhões. Dividindo-se o valor pelo
tamanho da ponte, você se depara com o metro mais caro já registrado no Brasil,
ao custo de R$ 76.503,58 saídos diretamente do bolso do contribuinte que,
certamente, deverá não ver essa ponte concluída, uma vez que as águas da
corrupção borrifadas por partidos políticos, como o do próprio presidente Michel Temer,
têm, historicamente, sequestrado recursos que, em tese, deveriam ser direcionados
à promoção da qualidade de vida da população.
Com
promessa que caducou, a ponte é o pretexto milionário que "o presidente
golpista", de acordo com o morador, usou para inaugurar sua marcha pela Região
Norte. Esta é a primeira vez em que Temer pisa em solo da tão desprezada região.
Desprezada, inclusive, pelo bando de ladrões engravatados que a saqueiam
diuturnamente.
SOBRE A PONTE
A
Pepita de Carajás teve acesso ao anteprojeto de engenharia da construção da ponte
rodoviária sobre o Rio Araguaia depositado no Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit). Datado de fevereiro de 2016, o documento
aponta que o empreendimento tem 1.727,37 metros de extensão — embora a imprensa
não sabe se divulga 1.724 metros ou 1.721 metros, ficando a desinformação a
gosto do leitor. Vale lembrar que três metros de diferença, no cálculo dessa
ponte, equivalem a quase R$ 230 mil. Então, metros e centímetros aqui fazem,
sim, a diferença porque a falta ou o excesso impacta diretamente no bolso do
cidadão.
A
obra vai gerar 2.000 empregos diretos e 3.000
indiretos nos municípios de Xambioá e São Geraldo do Araguaia, este aqui no
Pará. Serão abertas oportunidades para engenheiros civis, eletricistas, mecânicos,
ambientais, de segurança do trabalho; para técnicos de estrada, de edificações
e de segurança do trabalho; para serventes, montadores,
carpinteiros, pedreiros, armadores, ferreiros, pintores, soldadores e
serralheiros; para auxiliares administrativos, de escritório, de cozinha,
entre outras ocupações. O comércio já começa a se preparar, embora muitos empresários locais, desiludidos, fiquem com o pé atrás.
PREFEITOS
Prefeitos dos dois municípios onde "nasce e morre" a ponte
estão animados com a obra, embora a população esteja reticente quanto à
execução, uma vez que a ponte sobre o Rio Araguaia já teve mil e um anúncios,
mas até hoje nunca passou de mentiras e chorumelas.
Em entrevista ao Portal Planalto, a prefeita de Xambioá,
Patrícia Evelin, declarou que a ponte trará desenvolvimento, com geração de
emprego, melhoria no escoamento da produção da região e suporte ao transporte
de cargas de outros estados.
Por sua vez, o prefeito de São Geraldo do Araguaia, Edilson Pereira de Carvalho, observa
que o turismo municipal será potencializado e todos ganham, já
que muitas pessoas deixam de visitar o município — rico em cachoeiras e sítios
arqueológicos — em razão do acesso.
Diariamente,
150 veículos e 500 pedestres fazem a travessia para o município tocantinense,
de acordo com o Dnit. Xambioá é a porta de entrada para muitos jovens de Curionópolis que deixam o Pará para estudar no Tocantins, especialmente nos municípios de Araguaína, Palmas e Gurupi.

